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domingo, 1 de julho de 2012

Às vezes eu acho que Paris roubou minha alegria. Ficou num daqueles cantos iluminados só por uma luminária amarela perto do Panthéon ou nuns dos Noctiliens que eu peguei voltando de uma saída cheia de tequila e cerveja?
Não sei. Minha alegria vaga por Paris, porque às vezes eu a reencontro num passeio etílico ou com pessoas que me deixam ser eu mesma. Às vezes eu a vejo de mãos dadas com a saudade das coisas que eu já vi ou que não aproveitei como deveria. Às vezes, ela me espera numa música nova, numa lembrança de noites viradas, dançando como se eu soubesse. Às vezes ela bate na minha porta, mas estou muito ocupada conversando com meus medos e incertezas. Às vezes ela briga demais com a tristeza. Muito. E perde, porque no meio do caminho tinha a solidão, que não ficou mais sozinha porque fez amizade com a melancolia.
Mas ela está aqui em Paris, na vida que eu levo, nos pequenos dias em que eu escrevo e me sinto leve, nas pequenas vitórias.
Está aqui, nas pequenas lembranças de dias lentos, no gramado.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Imagine me and you, I do.."


Eu estava com aquela blusa preta que você já falou tantas vezes que é bonita. Coloquei só pelo milésimo de "ombro de fora" que ela proporciona, mas depois descobri que você gosta dela. Bom saber.
É o único detalhe de nós dois do qual eu me lembro. Lembro de outras coisas, como a meia luz, provocada pelas velas, o pedido em meio segredo para o garçom, a música do Djavan escolhida a dedo pela banda que dava o tom a várias mesas com temáticas diferentes. Vi família e grupos de amigos, mas me senti a única a ter a mão dada durante a música, o olhar de "eu ainda a amo" e o "não chora, senão eu choro também".
Ouvi, da boca dos dois cantores, que eles "gostam tanto dela assim" e que têm um imenso e desmedido amor. Era o que eu queria: um capricho, um mimo que não coubesse na caixinha, nem que o Mastercard pudesse pagar.
Saímos e voltamos para nosso lar provisório, de táxi; serenos, depois de lembrar da sacola esquecida embaixo da cadeira.
Você me emprestou sua blusa, pra eu não tremer. Me abraçou à luz da lua que, num clichê sem tamanho, nos iluminava. Deitou do meu lado. Me abraçou e fez carinho como se aquela noite fosse pra ser guardada na caixa dos momentos lindos sem sacanagem.
Conversou. Ouviu. Falou. Elogiou. Me amou. Fez mais carinho. Deu uma apimentadinha aqui e acolá e foi meu.

No meu jantar mais romântico do mundo EVER.