quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Dias ruins

Nesses dias, fico pensando sobre o que é ser obssessivo, dependente, compulsivo ou coisas do tipo.
Algumas pessoas têm transtornos, não vivem sem diversas coisas: chocolate, álcool, drogas, etc. Casos de dependência.
Algumas pessoas são compulsivas, não conseguem ficar sem alguma coisa, sem tomar determinadas atitudes, e isso se dá em resposta a um pensamento obssessivo. Tipo, a pessoa tem pensamentos repetidos durante o dia (obssessão por alguma coisa) e toma uma atitude pra que isso se resolva logo, cede a impulsos e aí se dá a compulsão. O compulsivo sabe que as atitudes podem não fazer bem pra ele, mas não consegue se controlar.

Andei pensando sobre isso (sim, cheguei até a lerartigos na net). A linha que sepra nosso desejo de uma compulsão pode ser mais tênue do que a gente pensa. Tem horas em que eu penso que sou compulsiva (não, o chocolate tá saindo gradualmente da minha vida, não é ele) e fico em dúvida se é hora ou não de procurar um psicólogo, psiquiatra ou um retiro. Banho de sal grosso e meditação já fizeram parte da lista, também.
Não sei se é só uma vontade, uma carência (no sentido de carecer, faltar) normal a essa altura do campeonato ou se exijo mais do que tenho direito. Aliás, não sei nem se é um direito. Exigir não é um verbo que combine com questões afetivas, também. O fato é que ando parecendo o cão que não quer largar o osso, acreditando que ainda há mais um pedacinho a roer.
E se não houver?
E se houver e o pedaço acabar em duas dentadas?


Bora procurar açougues.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Selfish

Ser egoísta é intrínseco ao ser humano.
E acredito que eu sou tão egoísta que já não o identifico mais. E quando percebo, já fui, já me vi querendo mais e mais e mais, mesmo que a pessoa não esteja em condições.
O problema é: se eu não me preocupar com os meus problemas, quem vai? E eu me descabelo pelos meus problemas, também. O problema é ver que, ao tentar ajudar os outros, acabo colocando um pouco do meu egoísmo e querendo ser "A" ajuda. "A" chave, aquilo que foi indispensável no processo de ascenção.

Egocentrismo ou egoísmo?
Um terceiro palpite?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Particular

Como uma amiga minha disse no blog dela, nossos medos têm que ser só nossos. Os lugares públicos devem ser usados pra coisas mais leves, daquelas que o nosso rosto mostra quando o nosso olho está em sintonia com a mente (e não com o coração) e consegue passar a sensação de todos os dias.
Os lugares privados são seus. Servem pra desastres particulares, e pequenas depressões que fazem qualquer escorregão parecer um tombo fatal.

Esse é meu lugar privado ou público?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ao mestre, com carinho!

*espaço reservado às fotos muito decentes de 'professoras' que eu achei no google imagens *

Eu queria escrever alguma coisa bonitinha pra mim, da sofrida classe dos professores pobres dos alunos ricos, mas não ando muito inspirada com a profissão mais velha do mundo (depois das prostitutas, eu acho).

O que eu sei é que a gente sofre horrores. É tratado como uma pessoa com obrigações surreais, como fazer uma pessoa saber toda a análise sintática em UMA HORA pra tirar 12 numa prova bimestral, ouve impropérios de pais que acham que a culpa do aluno preguiçoso é sua, ouve que "meu pai paga, então você tem que fazer a minha lição" e daí pra frente. Ouve também que "eu vou sentir sua falta, quando você sair daqui", ou, "prô, faz tempo que eu não faço aula com você! Tava com saudades!" ou ainda, quando seu nariz tá vermelho por motivos pessoais, antes de começar a aula, eles acreditam, com a maior certeza do mundo, que você está gripada (ou fingem muito bem).
Eu reclamo absurdos das aulas com as crianças, que me cansam, que extraem o que há de melhor e pior em mim, mas são só eles que conseguem ver você subindo a escada e correr pra te dar um abraço daqueles que você dava na sua mãe, quando chegava na escola. Elas conseguem, com a tranquilidade de quem lê um jornal, ler o que estava escrito no pc, em voz alta, na sala da minha chefe: "Há-quan-to-tem-po-vo-cê-não-tran-sa?" e dizer, "prô, o que é transa?" (e deixar você com aquela cara que grita um 'eu não sou capaz de explicar isso, ainda').



Eu ainda tenho o privilégio de dar aulas de português pra coreanos, com o detalhe deles não falarem necas de português e eu.. bom, não preciso falar nada, né? Essas aulas são as mais trabalhosas, pra mim, mas são nelas em que eu mais dou risada, devido às trocas de F por P e B por V e trocas de significado das palabras. Tá, eu sei que pode parecer maldade, mas imagine uma aula com um velho coreano que... anh, erh.. bem... dizia coisas impróprias (leia: dava em cima) para a professora, na qual ele diz que "ele (o mercado) pica lá atrás".

Ou uma freira, no seguinte diálogo:


Ela: Eu não entêndji...

Eu: Vamos lá. Você escreve: pode ou não pode. Only this!" (sim, preciso misturar inglês, às vezes)

Ela: É..

Eu: (...) Entendeu?

Ela: É.

(...)

Eu: Então escreve..! =) (sorriso fofo, tentando ser legal)

Ela: O que?

Eu, no 127 da contagem mental: Eu vou ler pra você: Você pode dormir no trabalho?

Ela: Non.

Eu: Isso, agora usa o verbo poder! (parece que eu tô na rotação errada, falando deevaaagaaar e aaarrrtiiicuuulaaando muuuitoo beem aaas paaalaaavraaaas)

Ela: huuuum... dormir trabalho? Eu não fode.

Sim, é de cagar. Às vezes eu até vou dividir com outra pessoa abençoada por Deus que escolheu a mesma profissão e trabalha no mesmo antro lugar que eu, mas não consigo reproduzir os momentos.
Bom, eu falei demais. Era pra ser só um post de congratulações pelo meu cansativo e degradante autruísta ofício.

Sorriso fofo, hoje de manhã, olhando pra mim.
- Obrigada.
- oO. Pelo quê?
- Pelas aulas.
(f)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Imagine me and you, I do.."


Eu estava com aquela blusa preta que você já falou tantas vezes que é bonita. Coloquei só pelo milésimo de "ombro de fora" que ela proporciona, mas depois descobri que você gosta dela. Bom saber.
É o único detalhe de nós dois do qual eu me lembro. Lembro de outras coisas, como a meia luz, provocada pelas velas, o pedido em meio segredo para o garçom, a música do Djavan escolhida a dedo pela banda que dava o tom a várias mesas com temáticas diferentes. Vi família e grupos de amigos, mas me senti a única a ter a mão dada durante a música, o olhar de "eu ainda a amo" e o "não chora, senão eu choro também".
Ouvi, da boca dos dois cantores, que eles "gostam tanto dela assim" e que têm um imenso e desmedido amor. Era o que eu queria: um capricho, um mimo que não coubesse na caixinha, nem que o Mastercard pudesse pagar.
Saímos e voltamos para nosso lar provisório, de táxi; serenos, depois de lembrar da sacola esquecida embaixo da cadeira.
Você me emprestou sua blusa, pra eu não tremer. Me abraçou à luz da lua que, num clichê sem tamanho, nos iluminava. Deitou do meu lado. Me abraçou e fez carinho como se aquela noite fosse pra ser guardada na caixa dos momentos lindos sem sacanagem.
Conversou. Ouviu. Falou. Elogiou. Me amou. Fez mais carinho. Deu uma apimentadinha aqui e acolá e foi meu.

No meu jantar mais romântico do mundo EVER.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

As the world falls down

“Você foi a minha melhor namorada”

Em algum momento depois, achou que a conversa deveria ter parado ali. Cada um com seu pacote de lembranças, com os dias de sol e de chuva divididos em pensamento, com os beijos coloridos, os filhos, a sala de TV e a escola do pupilo a pagar – ou não.
Seria mais fácil: abririam o saquinho e, quando quisessem lembrar um do outro, teriam aquilo pra satisfazê-los. Nada de brigas no último dia: um clima estranho, porque uma história que não é coroada com um episódio trágico (porque mata o fim) não acaba sem uma certa tristeza, mas uma certeza de que ainda se gostavam. Não digo com certeza que ainda se amavam, porque o desgaste e o ‘saco-cheio’ haviam feito com que “fascínio” se perdesse no meio do caminho, mas se gostavam com a intensidade de quem não vê outra saída para coroar aquela história senão o fim, o break, o intervalo de temporadas.
Mas ela tentava amenizar. Não podia nem queria implorar por aquele amor. Se humilhar, pedindo o obséquio de que ele ficasse com ela por pena ou sem vontade, só porque ela havia pedido, faria com que seu coração e sua mente entrassem em colapso a cada vez que ela buscasse a resposta a um “Ele te ama de verdade?”
Então aceitou o fim. Era bom conseguir terminar e ainda poder fazer piadas sobre isso. Ela estava por baixo; quem dava o tom das brincadeiras ou dizia até onde eles poderiam ir sem que ela se machucasse era ela. E assim o fez. Sentiu que ainda tinha ali um abraço carinhoso e alguém que ainda pensaria nela como uma pessoa que faria falta, não uma presença obrigatória. Não postergaram nada.
Decidiu, em poucos instantes, que na hora de dizer tchau, seria capaz de dar o mais longo e carinhoso beijo na bochecha ou o mais caprichado dos beijos pegados que tinha catalogado na coleção deles. Era só sentir e fazer. Não interessava mais. Era o último, mesmo...
Sentiu, então, o peito arder. O soco no peito começava a lhe tirar o ar e as risadas e olhares que trocaram começaram a flutuar à frente dela. Acabou. As mensagens e seus textos voltaram à tona. Acabou. A certeza de ser a pequena, a baixinha, a que ajuda a enfrentar dias cinzas... Acabou. Antes do fim. Só lembrava e era cortada pelos verbos no passado que já utilizavam nas frases.
Mas ela seria uma boa lembrança, mesmo que o final tenha acontecido numa época decadente. As biografias geralmente focavam mais o tempo áureo e brilhante de qualquer pessoa que merecesse ser lembrada. E ela seria.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Carvão Carmim

Se a paixão é uma coisa vermelho-carmim passageira e o que fica é o amor, então eu concluo que o amor é uma intimidade cinza.

Ela não dá beijos coloridos, o pôr do sol não precisa ser sempre laranja e os olhos não brilham com aquela camada policromática invisível.




Taí um texto que eu pretendo continuar.