quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Carvão Carmim

Se a paixão é uma coisa vermelho-carmim passageira e o que fica é o amor, então eu concluo que o amor é uma intimidade cinza.

Ela não dá beijos coloridos, o pôr do sol não precisa ser sempre laranja e os olhos não brilham com aquela camada policromática invisível.




Taí um texto que eu pretendo continuar.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

domingo, 6 de setembro de 2009

A falta de costume

Às vezes eu me sinto só um cabelo bonito e um beijo supostamente gostoso. Um vazio, nada de que você vá sentir falta daqui a um tempo ou quando a gente terminar.

Nada de trejeitos, nenhuma mania da qual você vai sentir falta. Nada que marque, que me faça EU. Um EU pra um VOCÊ.

Eu sou essa, imperfeita, com o semblante e o corpo "imperfeitos", também, no sentido midiático, mas com qualidades que eu sei que eu tenho. Qualidades que aprecio, em mim e nos outros.

Eu queria me perder de você, um dia, assim como se perde uma criança num parque e se chora desesperadamente enquanto o balão enfeitado que se havia comprado para ela vai pelos ares.

Queria saber se só eu ía chorar sem saber por onde começar a procurar o caminho de volta. Se você vai achar que o caminho fica mais escuro sem as risadas, que o ar fica mais seco sem as lágrimas, que o ar fica mais ocre sem o perfume despejado de todos os dias.

Queria saber se só eu ía chorar sem saber por onde começar a procurar o caminho de volta. Se você vai achar que o caminho fica mais escuro sem as risadas, que o ar fica mais seco sem as lágrimas, que o ar fica mais ocre sem o perfume despejado de todos os dias.

Se a gente se perdesse, quem procuraria o posto de segurança primeiro? Quem reconheceria que está perdido?



Quem deixaria o parque primeiro?

sábado, 29 de agosto de 2009

Aprendeu


"Deixa comigo, que eu já passei por isso uma vez, não vou passar a segunda. Agora eu já aprendi."

Aprendeu...

Aprendeu a perder uma filha pra longe. A mandar embora todos aqueles que te amam mas não conseguem lidar com esse seu gênio de cão. Não conseguem não ter abertura, não ter espaço para serem o que eles realmente querem ser.

Aprendeu, com maestria, a botar a culpa nos outros pelas suas atitudes. Aprendeu a ver só o que te interessa, só o que é mais conveniente às suas certezas rotas e cristalizadas. Aprendeu a intolerar. A ter dois pesos e duas medidas. A agir com o coração (tudo em nome da emoção), mas nem quando esse efeito passa, você é capaz de reconhecer um erro ou um julgamento equivocado.

P r e c o n c e i t o. O ato de pré julgar alguma coisa: nisso você já é PhD. O curioso é que tal julgamento deve ser feito antes de conhecer a pessoa; teoricamente, você me conhece há quase 24 anos e ainda me julga com base em informações corrompidas, colhidas do jeito mais impreciso possível.

Aprendeu a sutilidade de um elefante pisando em amoras quando está brava/chateada e quer descobrir algo a meu respeito, por preocupação verdadeira.




Realmente, você é uma aluna exemplar.

Espero não ter herdado essas características, também.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

No meu dia de rainha, eu não sei como seria a manhã. Sei que eu não acordaria cedo, porque não trabalharia.
Daria um beijo na minha mãe, com as malas prontas, ouvindo pra eu me cuidar, aproveitar a viagem e mandar um beijo pro meu (eterno) namorado; tudo isso, sabendo que ela ficaria bem, com amigas indo em casa/saindo ou com a companhia de algum membro da família que a divertisse.
Desceria as escadas, me sentindo radiante, mesmo que eu não estivesse. Daria um beijo nele, enquanto ele me olha sem saber se comenta ou não o quanto ele gosta de me olhar sem que eu perceba. Acabaria comentando e, enquanto guardamos as malas, eu pensaria no quanto o fim de semana parece promissor. Pegaríamos a estrada livre, com raios de Sol, indo Deus sabe pra onde. Eu não me importaria com o lugar, porque, como seria meu dia de rainha, eu teria paz e seria a realeza em qualquer lugar.
Ele diria, à noite, que adorou a blusa que eu escolhi caprichosamente para que ele reparasse, e eu me sentiria mais magra com ela, também. Iríamos a um restaurante aconchegante e eu me sentiria amada; aquele ouro branco do qual eu já havia falado.
Eu poderia amar com a certeza de que o amor é uma via de mão dupla e que tudo o que vai, volta - necessariamente.
Eu não teria gestos planejados. Nem ele. Daríamos risadas que terminariam com um beijo.
Nesse dia de rainha eu teria olhares. Olhares daqueles que te fazem sentir a rainha de qualquer homem; que te permitem ver o pensamento: “Ah, ela é mesmo demais” ou um simples “Se ela soubesse o quanto eu amo...”
Eu teria certezas.
A certeza de que eu escolhi certo, de que o destino prega peças erradas com a linha certa, de que eu estou completa.

A tão sonhada plenitude.

Aquele momento fulgaz em que você pensa: “Eu não preciso de mais nada pra ser feliz...” Momentos Doriana.
Eu dançaria fazendo dublagens e palhaçadas. Teríamos a dança do um pra lá um, pra cá (clássico de baladas) que acabariam com um giro engraçado e mais risos...
Eu conseguiria comer menos e teria a pele de uma... princesa – sem rugas, claro!
Tudo no lugar, inclusive o coração e a cabeça, que agiriam de acordo com o que foram programados pra fazer, e não um tentando tomar o lugar do outro.
No meu dia de rainha, eu receberia uma rosa com um poema pelas mãos de outrem ou deixada em algum lugar estratégico.
Eu saberia que estou sexy com determinada lingerie e o sexo seria, ao mesmo tempo, intenso e carinhoso; e eu saberia que estaria dando de volta tudo aquilo que eu recebera. Terminaria com o carinho mais gostoso e o resto, ele saberia como fazer – contanto que não dormisse.
E recomeçaria - por que não?

Eu teria paz. Das minhas neuras, dos meus outros eus, dos outros, dos dias, das noites...


Impossible is nothing.

domingo, 29 de março de 2009

Duas partes

Era uma das duas partes daquelas peças gregas formadas por coro: impossível ser feito de um jeito só, de uma vez só, com uma pessoa só.
Era composta pela união de vozes que ecoavam, que agregavam a ela todo e qualquer sentimento. Era, como se definia, uma parte daquele emaranhado de vozes e sons que ouvia.
Como era uma parte do teatro, o ensaio era feito na hora, diante daqueles que assistiam a tudo e não sabiam nunca o que esperar. Tudo se desenrolava como se o espetáculo fosse o mesmo há anos, mas não sabiam que cada fala era cuidadosamente escolhida para cada cena.]
Não sabia o que fazia ali, esperando sempre pelo complemento; por aquela ajuda cenográfica que não a deixaria sair de cena; pela deixa que ela deixava sempre; pela segunda voz que não vinha; pela entrada triunfal da outra personagem que não sabe as horas nem as falas.
Não sabia. Mas esperaria mais, até que os aplausos fossem pras duas partes.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Little bit of heaven


Eu sou capaz de escrever um texto, bem agora.” ela pensou.

Não cabia em si de felicidade por ter momentos como aquele. Sabia que eles durariam pouco, como tudo o que faz bem e anima a alma, mas, naquela hora, tinha de lidar com todos os sintomas mais clichês de uma plenitude crônica que havia se instalado ali.

A realidade paralela em que se encaixavam os quadros que eles pintavam não parecia tão paralela assim. Os dias tinham 24 horas; as noites, quantas eles quisessem. O café da manhã vinha com chá morno, beijinhos a granel e declarações de amor. A manhã e a tarde se passavam com brincadeiras na piscina, sorrisos sinceros e elogio ao brilho dos olhos no sol. Quando não, havia o passeio na praia, regado a um céu de baunilha, passeio de mãos dadas e a sensação de que aquilo jamais se repetiria com tamanho capricho pelos deuses, que outrora se divertiam com a vida escorregadia dela.

À noite, um descanso num colchão qualquer, num canto qualquer, mas não com qualquer abraço. Só aquele. Exatamente aquele, do jeito que ela gostava, a fazia sentir a princesa de que ele falara. E ela ganhava abraços daquele tipo para coroá-la rainha de seus momentos únicos.

Depois dos abraços, ora o sono vinha, ora não. Quando vinha, trazia junto consigo aquela sensação de completude, proteção e de que, sim, ele estava lá, velando por ela.

Ela não poderia pedir mais. Até pediu, em determinados momentos, que o portal se fechasse e que, enquanto a vontade de ficar ali fosse mais forte do que os compromissos sociais e antissociais, eles vivessem naquele quadro de Monet. Mas, como era de se esperar, a realidade parecia muito com aquele mundo à parte. Tanto que, quando bateu a meia-noite e os celulares marcaram o último dia cronológico dessa coleção na galeria, ela teve de catalogar tudo rapidinho. Foi capaz de separar tudo o que lhe interessava e colocar lembretes com frases que o fariam lembrar dos quadros que pintaram juntos, mesmo se voltasse pra lá sozinho. Guardou tudo, limpou a casa e a deixou vazia. No lugar do sol, o escuro; no lugar das risadas, saudade; no lugar da TV, os quadros no canto, apenas esperando para serem recolocados.

Trancou a porta e assim foi, chutando pedrinhas e pensando no dia em que voltaria.