sábado, 30 de janeiro de 2010

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sobre proteções.

Ela decidira mudar. E só por isso, achou que seria instantâneo. Queria deixar de lado toda aquela falsa proteção das lágrimas e dos abraços que ganhava quando isso acontecia para simplesmente não precisar chorar mais (afinal, queria mudar sua perspectiva sobre as coisas. Assim, elas não a afetariam da maneira como faziam há tempos).
Estava conseguindo. Pagou as coisas na mesma moeda que recebeu, na esperança de que o ouro valesse tanto pra quem dá quanto pra quem recebe. Não foi lá isso que aconteceu, mas ela conseguiu fazer o básico: se esforçou, sentiu pouco e não chorou. As velhas distrações a ajudaram.
O problema é que ainda estava na fase de experiência do nível básico. Não sabia controlar emoções, ainda, e por mais que o choro tenha sido engolido, como quando era criança e fazia birra dizendo que "não doeu!", o sentimento estava ali, latente. Quando o inimigo baixava guarda, sua vontade era de baixar, também, ao invés de aproveitar o momento e atacar. Coisas de amadora.
Resolveu baixar um pouco a guarda, também. Se ninguém atacasse, talvez a guerra acabasse, e ela poderia largar a armadura que não a fazia bela como ela era. A essência era algo interno demais, mas certas mentiras ditas 100 vezes tronam-se verdades, então, pra que se armar de uma coisa que ela não era?

A essa altura, mudar, pra ela, já era fingir. E não acreditava que mentindo ela pudesse ir muito longe. Era fraca pra essas coisas. Nunca escondera de ninguém o quanto era dependente dos seus próprios sentimentos e de expô-los sem problemas, desde que eles fossem tratados como tesouros que eram.

Voltou a ser ela mesma. Em um curto espaço de tempo, tirou a armadura, lançou mão de espreitar, estudar os atos daquele que não deveria ser o oponente, e sim apenas o objeto de 'estudo próximo e empírico'. Sem escudo, sem lança, sem cautela: desprotegida. Foi, sentindo-se forte o suficiente para encarar tudo do jeito que ela era. Sempre lhe disseram isso.
Enquanto ela levantara a bandeira branca, recebera golpes que lhe pareceram desferidos sem o menor controle. Talvez tivesse sentido mais pela falta da armadura.
Voltou com o coração na mão, tentando repara-lo mais uma vez. Buscando novos remédios pras velhas feridas, novas proteções, novos...

Seria melhor um novo coração?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Clichê mais lindo.

- Por favor... cativa-me disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto ...


(...)

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
(...)
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável
pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se
lembrar.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Retratos em palavras

Firmamento
Eu encontro
Sereno
Em teus olhos
Raros

Espaços preenchidos
Com amor e poesia
No ápice da inspiração
São
Retratos em palavras

Finjo então
Escrever poesia
Mas de fato,
Eu pinto retrato
Revisito tua vida

Olhos brilhantes
Beleza hesitante
Onde repousam
Olhos meus

Pensamentos
Nada
Vagos

Divago e viajo
Em teu olhar,
De muitas histórias
A contar
E encantar

Brilho que não cessa
Mesmo quando adormece
Escrevo sem pressa
Mais do que um verso,
Sabes que merece

A verdadeira beleza
Jamais perece
Pois se veste
Com o manto da mãe natureza

Esqueço passado
Vivo presente
Cultivo semente
Que trouxeste em um dia deste
Tão claros

Ausência
De toda luz torna
Beleza do teu olhar
Ainda mais evidente
E não se demora

Despertar de cada manhã
Lá se vai, ainda mais bela
Aquarela se ervela
Em meu pensamento

Em cada movimento
Traço, reinvento
Para meu contento
Cores do olhar

Mostro-lhe uma canção
E então, me diz
Como devemos seguir?
Viver no velho mundo
Ou novo mundo construir?

Ouça o que ela nos diz
Devemos atravessar a ponte?
Mas também sei
Brilho dos olhos
Dizem ainda mais
Na calada da noite.


(de tempos atrás)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Mais do que eu posso ser

Às vezes a gente fala mais do que deveria. Sonha mais do que deveria, idealiza mais do que deveria, deseja mais do que poderia.
E aí, se desencanta mais do que imaginava, chora mais do que sonha e dorme menos do que o ideal.

Pena que continua desejando muito.