domingo, 23 de março de 2014

Eu revi suas fotos aqui comigo e seus comentários nas fotos da Camilinha Brunelli. Sim, ela tinha guarda chuva, ela sabe que não pode tomar tanta Coca e seu filhoteJosé é um um cachorro, pq faz as lasagnas deliciosas, mas que vêm acompanhadas de um abraço de urso. O Bin é um menino bravo, mas como vc falava "ai, vc viu que fofo que ele comentou?  "
Eu vou me cuidar no inverno, sempre vou cobrir o peito, "pq é aqui que precisa ser enquentado". Comprei cachecóis quentes, não se preocupa. Meu casaco chique vai voltar comigo e eu vou usar sempre os shortinhos que vc acha bonitinhos. São meus preferidos tb. 
Eu aprendi aqui que esquentar a cabeça ajuda a dormir bem e é por aí que eu sinto mais frio. Vc tinha razão, como sempre. Ainda bem que vc soube disso a tempo..
Obrigada pelo Chico Buarque, por chorar comigo ouvindo "Outra Vez", do Rei, e por rir comigo berrando clássicos bregas cantados pelo Cesar Menotti & Fabiano. 
Eu não vou saber NUNCA fazer seu bolo pros aniversários, muito menos o seu feijão, mas agradeço por ter tentado me ensinar. Vou me esforçar.

Obrigada por ter brigado comigo quando me viu bêbada, por ter sempre dito que fulano não prestava. Muitos não prestavam mesmo. Obrigada pelo chá quente, pelo abraço morninho e por sempre me ajudar a esfriar a cabeça. Todas as temperaturas que eu precisei num único corpo - e alma.
Obrigada pelos ensinamentos que sempre me foram úteis, mesmo que eu só tenha percebido a importância de vários deles aqui. A faculdade nunca te fez falta, pq não era lá que vc aprendia o que precisava.
Eu tô com muita saudade. Muita.

Fica com Deus. Eu te amo mais do que eu já consegui mostrar em algum dia da minha vida. Pelo menos eu sei que vc sempre soube disso. 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sobre a ausência do meio termo.

Ninguém disse que ia ser fácil, mas ninguém disse também que seria a coisa mais difícil que eu ia ter que fazer na vida. 

Abdômen, pâncreas, lágrimas, coração 

x

Escrita, francês, razão, concentração. 

Batalha com vencedor certeiro, mas, assim como o futebol, a vida é uma caixinha de surpresas
E eu só quero uma pessoa saia ganhando - porque lutador e meu herói ele já é. 

Que todas as correntes do bem o protejam e que ele volte pra mim - assim como já já eu volto pra ele. 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Faz parte

"Se a gente não tem muita coisa em comum,  pelo menos o amor e a alegria de estar juntos já compensa o seu gosto pelo calor e o meu pelo frio. Já compensa ter que botar um biquíni e ir à praia, ou você ter que perder os movimentos por conta das 4 camadas de roupas pra aguentar minha tendência à temperaturas europeias. 

Eu sou de outono, você de verão. Parece aqueles pagodes que a gente odeia, mas canta depois de 3 copos de cerveja - e que nela esteja a minha soluçããão - mas é só a gente resumido em temperaturas. 
Estranho é que, segundo algumas opiniões, a minha oversimpatia se encaixa muito mais nas rodas de samba regadas a churrasco e cerveja do que nas mesas à meia luz tomando um vinho e ouvindo jazz. 


Sou Brasil. 
Nada de França. (Nem você).

Mas eu aceito o calor. Aceito até o sol quando ele não queima. 
E pode ser muito amor raso, mas o que seria possível aproveitar da companhia de uma pessoa constantemente de mau humor por causa do tempo? 


Pois que corramos atrás da primavera, então."


terça-feira, 12 de março de 2013

Ela mistura neve e Tango.

Dança. Desliza. Se arrasta. E sonha..
Com o quê?
Nem ela sabe mais. Mas tem vontades dentro dela que não sabe domar. Sente que falta alguma coisa, que a felicidade não está ali na esquina. Não sabe buscá-la nem com os mais sofisticados aparelhos.

Acho que com um mapa feito a mão ficaria mais fácil. Ou descobrindo pistas. Sempre gostou de jogos em que soubesse o que era certo e errado. Se seguisse a pista errada, descobria logo e voltava pra consertar.

Seguiu a pista deixada e caiu no Moleskine e na caneta pesada e que escreve bem. Pequenas alegrias enquanto não sabe o próximo passo dessa dança.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Intimidades

Impressionante como a gente privilegia os que são de fora. Dosa palavra, dobra a língua, engole seco e faz com que alguns absurdos passem pro lado negro da nossa força de vontade em esquecer, ajudar ou ser agradável.
O que inquieta é que isso é tudo uma grande cercania dos domínios da intimidade. A palavra engloba muito mais do que um carinho íntimo ou coisa do gênero. Nela cabem parentes, amigos de longa data ou até mesmo o companheiro.
Já parou pra pensar que você explode muito mais fácil com quem está muito mais presente na sua vida? Não dá pra engolir uma palavra atravessada da mãe, mas daquele colega chato do trabalho vc engole a grosseria coridiana e o cafezinho horrível da máquina. É incapaz de ajudar a irmã, mas para tudo pra socorrer aquela amiga que precisa de grana e "te devolvo semana que vem". Não argumenta muito com o namorado, que você acha que já deveria saber de trás pra frente o seu discurso, mas tem a paciência de um monge tibetano quando explica pela trigésima quarta vez pra desconhecidos o que você está fazendo aqui.
Espera. Alguma coisa não anda muito bem.
E você só vai dar valor pra isso quando tiver feito alguma dessas. Ou quando sentir falta. Ou então, quando tiver tempo de digitar um texto inteio pro blog pelo celular e seu celular não vibrar com mensagem de nenhum dos 3.

domingo, 1 de julho de 2012

Às vezes eu acho que Paris roubou minha alegria. Ficou num daqueles cantos iluminados só por uma luminária amarela perto do Panthéon ou nuns dos Noctiliens que eu peguei voltando de uma saída cheia de tequila e cerveja?
Não sei. Minha alegria vaga por Paris, porque às vezes eu a reencontro num passeio etílico ou com pessoas que me deixam ser eu mesma. Às vezes eu a vejo de mãos dadas com a saudade das coisas que eu já vi ou que não aproveitei como deveria. Às vezes, ela me espera numa música nova, numa lembrança de noites viradas, dançando como se eu soubesse. Às vezes ela bate na minha porta, mas estou muito ocupada conversando com meus medos e incertezas. Às vezes ela briga demais com a tristeza. Muito. E perde, porque no meio do caminho tinha a solidão, que não ficou mais sozinha porque fez amizade com a melancolia.
Mas ela está aqui em Paris, na vida que eu levo, nos pequenos dias em que eu escrevo e me sinto leve, nas pequenas vitórias.
Está aqui, nas pequenas lembranças de dias lentos, no gramado.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

É uma festa. Com hora pra acabar.




Eu não tenho medo de mudanças. Eu tenho medo do sofrimento causado por elas.
Para evitar isso, eu tenho me podado de algumas coisas, por aqui. É uma estadia curta: um ano, doze meses e muitas, mas muitas pessoas que não farão mais parte da minha rotina. Que não estarão do outro lado do celular com mensagens ilimitadas, nem andarão pelas ruas de Paris depois da balada cantando o sucesso chiclete do momento e dançando, depois de umas e outras.
Pessoas que são importantes na composição do quadro que eu pinto de Paris e que me trouxeram e continuam a trazer sorrisos a cada nova página em branco que eu ofereço a mim mesma, na esperança de sempre fazer melhor, de fotografar uma cidade diferente a cada passeio ou simples saída do meu quarto.
Eu sei que vai ser difícil. E mais difícil ainda vai ser aceitar que a realidade de cada um de nós é diferente e que eu tive todas elas por um pedacinho de vida e agora, por mais que eu queira visitá-los algum dia, não será mais a mesma coisa.
Eles partem, e eu sinto não que o clichê "um pedaço de mim vai com eles" se faz verdadeiro, mas que um pedaço da minha juventude, das minhas festas e dos meus "dolce far niente" açucarados foram jogados no meio da chuva de verão. E é triste. Porque, por mais que eu tenha evitado deixar com que alguns transpassassem as muralhas do meu castelo, alguns simplesmente fizeram a ponte baixar e, sem batalha nenhuma, entraram, tomaram um chá (ou um vinho) e me deixaram ali, fazendo de conta que eu ainda dominava minhas parcas emoções a respeito de quem entra ou fica na minha memória.
Eu vou sentir falta de tudo isso, por mais que eu tenha criado essa barreira invisível. Por mais que eu queira aceitar suavemente que isso passa. Por mais que eu esteja presa a Paris por lembranças de momentos que eu não vivi e de alegrias que eu não tive. Eu sei que elas estavam ali, esperando por mim. E foi uma escolha não fazer sempre de Paris a festa que ela prometeu.

Sendo um passeio de domingo à tarde, já vai fazer um rombo no meu coração quando eu fechar a porta e não disser tchau pra quem viveu isso comigo.
Imagina se fosse um eterno sábado à noite...