quinta-feira, 23 de julho de 2015

Hoje foi o seu dia, e não foi o dia mais feliz.

Hoje foi o seu dia, e não foi o dia mais feliz.
Eu nao fui no seu quarto te falar Feliz Aniversário logo de manhã, nem pensei num presente que pudesse te fazer sentir querida.  Não pude te levar café na cama, ou comprar pão na Dona Deôla que abriu aqui do lado e você não conheceu. Não fomos comer carninha, não houve uma mobilização da Camila pra vir aqui em casa com o José.
Hoje meu dia foi chato. Fiz um exame incômodo, não pensei muito na sua ausência física durante o dia, mas quando lembrei, foi uma enxurrada.
Gosto de pensar que nesses dias você está comemorando de algum jeito aí no plano espiritual. Gosto de pensar que as pessoas sabem que você ainda não se desligou totalmente e que você fica esperando alguma coisa de nós nesses dias. Eu não fiz nada. Não acendi vela, como achei que fosse fazer. Não fui no Noel, como achei que fosse, também. Foi um dia ‘normal’,na maior parte do tempo.
O mais estranho? Entre esses últimos dias, foi o dia em que eu chorei menos. Pensar na sua ausência me dói muito e eu só queria te dar flores, um almoço gostoso e todo o meu tempo, mas essa possibilidade se foi.
O que eu posso fazer é falar com você por aqui. É bater o olho nas suas fotos que passam no porta retratos da sala e ficar com o coração do tamanho da paciência que eu tinha: quase negativo.
Eu só quero desejar que você esteja feliz aí em cima. Que você tenha muita muita muita luz e que esse amor que tem me machucado não chegue dessa forma impura até você; que ele consiga se filtrar e chegar até você do jeito que suas palavras de amor chegavam até mim: sempre puras e com a melhor das intenções.
Eu nunca vou te esquecer, nem esquecer esse dia, nem o tamanho da falta que você me faz. Não é culpa sua, nem minha, nem de ninguém. Tudo isso tem uma razão e um propósito,eu só não consigo ver direito agora, mas eu sei que tem. Aposto que nosso crescimento é um dos pontos a trabalhar com isso. Eu sinto que você é um ser anos luz à frente da gente: espero poder viver tanto e tantas vezes quanto você pra chegar nesse nível.
Eu te amo de um jeito que não dá pra falar, nem escrever, nem te mostrar agora: a dor tem ficado maior do que eu esperava,ao longo dos anos, mas a gente vai passar por isso, né, colega?

Um beijo e feliz aniversário do outro lado da existência. Te amo, meu ser de luz mais fofinho. <3 nbsp="" o:p="">

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Tua flor me deu alguém pra amar.

Às vezes eu quero que você goste de Los Hermanos e use All Star. Que você goste de alguns filmes franceses ou daqueles escuros e tristes e sem sentido, que eu gosto de ver no inverno - porque no verão meu ânimo muda (e a gente consegue lidar bem com esses ânimos).
Às vezes eu queria que você fizesse mais cenas de filme, comigo. Dessas que fazem parte do clipe em preto e branco do casal - e que tocariam ao som de "A flor", do LH, ou um jazz instrumental qualquer. Que você jogasse pipoca na minha cara e depois a gente risse e.. é, eu sei. eu vi muito filmes assim.
Eu queria que a gente fosse aqueles casais normais - não os hipsters, não os playboys, não os naturebas que a gente não gosta - que andam pela Paulista ou Vila Madalena: ela, magra e linda sem pentear o cabelo, morena, de roupas soltinhas e um shortinho (e All Star). Ele, mais alto do que ela, camiseta lisa e calça jeans (e All Star).
Às vezes eu quero tudo isso. Aí lembro de quando você me abraçou por trás enquanto eu passava patê de presunto numa torrada pra você. Lembro de quantas vezes você me pega no colo (e eu morro de pena da sua coluna, nessa hora) e me joga na cama pra me beijar. Lembro de um dia, esse mês, ainda, quando eu fiz algum mimimi clássico e você veio me agarrar pra dançar lambada na cozinha, enquanto eu ria ensandecidamente.
Lembro de você jogando água na minha cara, durante o banho, com o chuveirinho, e do quanto a gente ri sempre quando você faz isso - ou de quando eu faço, enquanto você tira o shampoo.
Lembro que eu já tive uns caras assim na vida. Alguns são ótimos, outros nem tanto. Se todos já estão no passado, é porque seu tipo é o meu. Sem Los Hermanos, sem blusa listada, com muita Vans, vídeos de skate e papos tecnológicos.
Às vezes eu lembro do quanto você é bom. Bom em muitas coisas: naquilo que você faz, em ajudar pessoas, em resolver problemas, em me fazer rir com coisas bestas, em não dar opinião quando você sabe que eu vou achar que fiquei horrível, em se controlar pra gente não brigar, em transar de manhã, em me beijar a nuca, em ser prático, em ter mil ideias pro seu próprio negócio, em segurar minha cabeça durante o beijo, em aceitar os meus amigos - e convidá-los pros rolês..
É tanta coisa que me encanta em você que eu até esqueço a falta do All Star.

domingo, 23 de março de 2014

Eu revi suas fotos aqui comigo e seus comentários nas fotos da Camilinha Brunelli. Sim, ela tinha guarda chuva, ela sabe que não pode tomar tanta Coca e seu filhoteJosé é um um cachorro, pq faz as lasagnas deliciosas, mas que vêm acompanhadas de um abraço de urso. O Bin é um menino bravo, mas como vc falava "ai, vc viu que fofo que ele comentou?  "
Eu vou me cuidar no inverno, sempre vou cobrir o peito, "pq é aqui que precisa ser enquentado". Comprei cachecóis quentes, não se preocupa. Meu casaco chique vai voltar comigo e eu vou usar sempre os shortinhos que vc acha bonitinhos. São meus preferidos tb. 
Eu aprendi aqui que esquentar a cabeça ajuda a dormir bem e é por aí que eu sinto mais frio. Vc tinha razão, como sempre. Ainda bem que vc soube disso a tempo..
Obrigada pelo Chico Buarque, por chorar comigo ouvindo "Outra Vez", do Rei, e por rir comigo berrando clássicos bregas cantados pelo Cesar Menotti & Fabiano. 
Eu não vou saber NUNCA fazer seu bolo pros aniversários, muito menos o seu feijão, mas agradeço por ter tentado me ensinar. Vou me esforçar.

Obrigada por ter brigado comigo quando me viu bêbada, por ter sempre dito que fulano não prestava. Muitos não prestavam mesmo. Obrigada pelo chá quente, pelo abraço morninho e por sempre me ajudar a esfriar a cabeça. Todas as temperaturas que eu precisei num único corpo - e alma.
Obrigada pelos ensinamentos que sempre me foram úteis, mesmo que eu só tenha percebido a importância de vários deles aqui. A faculdade nunca te fez falta, pq não era lá que vc aprendia o que precisava.
Eu tô com muita saudade. Muita.

Fica com Deus. Eu te amo mais do que eu já consegui mostrar em algum dia da minha vida. Pelo menos eu sei que vc sempre soube disso. 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sobre a ausência do meio termo.

Ninguém disse que ia ser fácil, mas ninguém disse também que seria a coisa mais difícil que eu ia ter que fazer na vida. 

Abdômen, pâncreas, lágrimas, coração 

x

Escrita, francês, razão, concentração. 

Batalha com vencedor certeiro, mas, assim como o futebol, a vida é uma caixinha de surpresas
E eu só quero uma pessoa saia ganhando - porque lutador e meu herói ele já é. 

Que todas as correntes do bem o protejam e que ele volte pra mim - assim como já já eu volto pra ele. 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Faz parte

"Se a gente não tem muita coisa em comum,  pelo menos o amor e a alegria de estar juntos já compensa o seu gosto pelo calor e o meu pelo frio. Já compensa ter que botar um biquíni e ir à praia, ou você ter que perder os movimentos por conta das 4 camadas de roupas pra aguentar minha tendência à temperaturas europeias. 

Eu sou de outono, você de verão. Parece aqueles pagodes que a gente odeia, mas canta depois de 3 copos de cerveja - e que nela esteja a minha soluçããão - mas é só a gente resumido em temperaturas. 
Estranho é que, segundo algumas opiniões, a minha oversimpatia se encaixa muito mais nas rodas de samba regadas a churrasco e cerveja do que nas mesas à meia luz tomando um vinho e ouvindo jazz. 


Sou Brasil. 
Nada de França. (Nem você).

Mas eu aceito o calor. Aceito até o sol quando ele não queima. 
E pode ser muito amor raso, mas o que seria possível aproveitar da companhia de uma pessoa constantemente de mau humor por causa do tempo? 


Pois que corramos atrás da primavera, então."


terça-feira, 12 de março de 2013

Ela mistura neve e Tango.

Dança. Desliza. Se arrasta. E sonha..
Com o quê?
Nem ela sabe mais. Mas tem vontades dentro dela que não sabe domar. Sente que falta alguma coisa, que a felicidade não está ali na esquina. Não sabe buscá-la nem com os mais sofisticados aparelhos.

Acho que com um mapa feito a mão ficaria mais fácil. Ou descobrindo pistas. Sempre gostou de jogos em que soubesse o que era certo e errado. Se seguisse a pista errada, descobria logo e voltava pra consertar.

Seguiu a pista deixada e caiu no Moleskine e na caneta pesada e que escreve bem. Pequenas alegrias enquanto não sabe o próximo passo dessa dança.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Intimidades

Impressionante como a gente privilegia os que são de fora. Dosa palavra, dobra a língua, engole seco e faz com que alguns absurdos passem pro lado negro da nossa força de vontade em esquecer, ajudar ou ser agradável.
O que inquieta é que isso é tudo uma grande cercania dos domínios da intimidade. A palavra engloba muito mais do que um carinho íntimo ou coisa do gênero. Nela cabem parentes, amigos de longa data ou até mesmo o companheiro.
Já parou pra pensar que você explode muito mais fácil com quem está muito mais presente na sua vida? Não dá pra engolir uma palavra atravessada da mãe, mas daquele colega chato do trabalho vc engole a grosseria coridiana e o cafezinho horrível da máquina. É incapaz de ajudar a irmã, mas para tudo pra socorrer aquela amiga que precisa de grana e "te devolvo semana que vem". Não argumenta muito com o namorado, que você acha que já deveria saber de trás pra frente o seu discurso, mas tem a paciência de um monge tibetano quando explica pela trigésima quarta vez pra desconhecidos o que você está fazendo aqui.
Espera. Alguma coisa não anda muito bem.
E você só vai dar valor pra isso quando tiver feito alguma dessas. Ou quando sentir falta. Ou então, quando tiver tempo de digitar um texto inteio pro blog pelo celular e seu celular não vibrar com mensagem de nenhum dos 3.

domingo, 1 de julho de 2012

Às vezes eu acho que Paris roubou minha alegria. Ficou num daqueles cantos iluminados só por uma luminária amarela perto do Panthéon ou nuns dos Noctiliens que eu peguei voltando de uma saída cheia de tequila e cerveja?
Não sei. Minha alegria vaga por Paris, porque às vezes eu a reencontro num passeio etílico ou com pessoas que me deixam ser eu mesma. Às vezes eu a vejo de mãos dadas com a saudade das coisas que eu já vi ou que não aproveitei como deveria. Às vezes, ela me espera numa música nova, numa lembrança de noites viradas, dançando como se eu soubesse. Às vezes ela bate na minha porta, mas estou muito ocupada conversando com meus medos e incertezas. Às vezes ela briga demais com a tristeza. Muito. E perde, porque no meio do caminho tinha a solidão, que não ficou mais sozinha porque fez amizade com a melancolia.
Mas ela está aqui em Paris, na vida que eu levo, nos pequenos dias em que eu escrevo e me sinto leve, nas pequenas vitórias.
Está aqui, nas pequenas lembranças de dias lentos, no gramado.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

É uma festa. Com hora pra acabar.




Eu não tenho medo de mudanças. Eu tenho medo do sofrimento causado por elas.
Para evitar isso, eu tenho me podado de algumas coisas, por aqui. É uma estadia curta: um ano, doze meses e muitas, mas muitas pessoas que não farão mais parte da minha rotina. Que não estarão do outro lado do celular com mensagens ilimitadas, nem andarão pelas ruas de Paris depois da balada cantando o sucesso chiclete do momento e dançando, depois de umas e outras.
Pessoas que são importantes na composição do quadro que eu pinto de Paris e que me trouxeram e continuam a trazer sorrisos a cada nova página em branco que eu ofereço a mim mesma, na esperança de sempre fazer melhor, de fotografar uma cidade diferente a cada passeio ou simples saída do meu quarto.
Eu sei que vai ser difícil. E mais difícil ainda vai ser aceitar que a realidade de cada um de nós é diferente e que eu tive todas elas por um pedacinho de vida e agora, por mais que eu queira visitá-los algum dia, não será mais a mesma coisa.
Eles partem, e eu sinto não que o clichê "um pedaço de mim vai com eles" se faz verdadeiro, mas que um pedaço da minha juventude, das minhas festas e dos meus "dolce far niente" açucarados foram jogados no meio da chuva de verão. E é triste. Porque, por mais que eu tenha evitado deixar com que alguns transpassassem as muralhas do meu castelo, alguns simplesmente fizeram a ponte baixar e, sem batalha nenhuma, entraram, tomaram um chá (ou um vinho) e me deixaram ali, fazendo de conta que eu ainda dominava minhas parcas emoções a respeito de quem entra ou fica na minha memória.
Eu vou sentir falta de tudo isso, por mais que eu tenha criado essa barreira invisível. Por mais que eu queira aceitar suavemente que isso passa. Por mais que eu esteja presa a Paris por lembranças de momentos que eu não vivi e de alegrias que eu não tive. Eu sei que elas estavam ali, esperando por mim. E foi uma escolha não fazer sempre de Paris a festa que ela prometeu.

Sendo um passeio de domingo à tarde, já vai fazer um rombo no meu coração quando eu fechar a porta e não disser tchau pra quem viveu isso comigo.
Imagina se fosse um eterno sábado à noite...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Se eu peco é na vontade




Estar longe tem dessas.
Você enfim tem nas mãos aquilo que sempre quis. A liberdade, a quebra de rotina, a cidade cheia de sotaques, o cheiro da baguette e da roupa mal lavada. A história por todo lado, a beleza dos takes de cinema, o pôr do sol visto da ponte indecisa, sem saber se vai ou se volta. As pinturas que você transforma em foto. As fotos que foram pinturas, muito melhores do que os falsos fotógrafos enfiados na frente de filtros falsos como suas fotos.
Você tem o glamour das vitrines daquele filme que vc viu. Tem a oportunidade. Tem o "make it real" gritando na sua cabeça, o "você pode, é só se esforçar". Tem a superação do ano passado te puxando pela mão e falando "nada pode ser pior, vai que dá". Você tem o seu sonho morando com você num quarto sem luxo, mas que te acolhe melhor do que aquela Boulangerie cara da esquina. Ele fica ali, quietinho; você mal percebe que ele tem um pedaço da sua vida. Ele mostra sua cara quando pega sua mão e te leva prum passeio breve, logo ali. Ali, a 15 minutos de metrô, 12 horas de avião e 4 anos de trabalho.
Você só pode contemplar. Sentar e olhar, olhar, olhar. SABER que aquilo não vai fazer parte da sua vida daqui a poucos meses é uma realidade difícil de enfrentar. Então você sabota sua mente e seu sonho, numa tacada só, com doses homeopáticas de utopia e esperança. Deixa os dois atordoados, como você, assim que chegou por essas bandas.
E quando enfim você tem certeza de que pode dividir seu amor entre sua terra Natal e essa terra tricolor, vem uma música. Simples, poucos acordes, cantor desafinado. Uma das suas bandas de cabeceira. Uma turnê. Um show que vai acontecer só agora e ninguém sabe quando será o próximo. E você, com tudo isso que tem nas mãos, com todos os 'bons dias' dados ao abrir a janela porque seu sonho te abriu os olhos pela manhã, só queria um dia de 2006, pulando como criança em matinê de carnaval.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Que maré!

E depois de um tempo abandonado, a gente volta aqui só pra dizer poucas e boas. Ou muitas e boas. Ou poucas e ruins.
O que importa de tudo é a lição que se tira. É saber que olhar adiante é sempre o melhor. Viver o agora com tudo o que ele te traz (sofrimentos tb, por que não?) e sempre olhar pra frente, buscando alguma coisa.
A maré te ajuda, mas vc precisa remar.

sábado, 28 de maio de 2011

Box - Parte II

Às vezes acho que as pessoas podem descobrir muito sobre mim se forem ler meus escritos no cantinho escondido do box. Fica ali, na parede de vidro ao lado da torneira, na altura das minhas mãos, na profundidade de qualquer coisa que eu queira escrever. Pra botar pra fora, pra escrever, pra gritar pro mundo inteiro, pro vapor levar pra longe ou espalhar.

Não passam de poucas palavras. Por muitas vezes, são ligadas por conjunções que cumprem sua real função: conectar, não advertir, não separar, não qualquer outra coisa. Às vezes trazem um desenho clichê, às vezes é só um 'por quê?'. Às vezes eu só olho e vejo que não tenho mais vontade de escrever nada, ali.

E quando eu começo a escrever só o meu nome naquela lousa embaçada, com um traço para colocá-lo no topo do mundo, sinto que talvez tenha me tornado o que sempre deveria ter sido: a coisa mais importante da minha vida, mesmo que até o próximo banho.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Que seja a Europa.

Pra ler ouvindo:


Estou deixando minha vida num barquinho, em alto mar. Aquelas canoas antigas, de passeios a dois, ou de pesca artesanal no domingo. Um dia vai vir uma Tsunami e afundar o barco? Não sei.
Um dia vai vir um barquinho da iemanjá me dar suporte? Não sei.
Pequenos peixes vão roer meu barquinho por baixo e eu soh vou perceber, de novo, qdo a água me afogar lá dentro?
Não sei.
Mas eu tô deixando a vida ser esse oceano. E vou levando meu barco, sem remos, pra onde a correnteza levar.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O primeiro amor

Hoje, no banho, eu lembrei de vários textos. Meus, dos outros famosos, dos autores aspirantes, daqueles que quebraram meu coração e outros que me emocionaram. E aí me veio a seguinte pergunta:

O primeiro amor a gente nunca esquece?

Se engana quem pensa que eu vou tentar achar respostas ou contar como foi. Foi só um surto de questionamentos e imagens que me vieram à cabeça naquela hora.
O primeiro amor seria qual? Aquele que você achava que gostava, no Ensino Fundamental I (antigo primário)? Aquele que fazia você morrer de vergonha ao sentar perto e, consequentemente, derrubar suas canetas cuidadosamente arrumadas na mesa, ou tropeçar ao entrar na sala, ou qualquer coisa digna da sala inteira rir da sua cara?
Seria o primeiro amor, aquele que realmente te fez sentir a barriga gelada, pontadas no coração com pagodes (sim, porque nessa hora eles fazem sentido. Sempre quando alguém toma um pé/não é correspondido/tá no fundo - MESMO - do poço, eles viram poesias) e aquela vontade incontrolável de ser brega? Porque, naquela hora, vem tem certeza absoluta de que o ama, de que, pela primeira vez, pode encher a boca pra cantar "Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar" sem medo de não ser sincera consigo mesma.
Seria o primeiro que foi correspondido? O primeiro cara da sua vida?O primeiro com quem você sonhou constituir família e juntar os trampos? Aquele com o qual você namorou por mais tempo? Aquele com o qual você sossegou? Aquele que faz o pensamento viajar, mesmo depois de 'tanto tempo', lembrando dos momentos, mesmo quando já passou a época de vocês?
Eu, sinceramente, não sei.
Sei que tem coisas que você não esquece nunca. Coisas que podem ficar guardadas pra você, como um bolinho de lembranças que você guarda com carinho e para o qual se dirige num momento de pensamento perdido. Isso não quer dizer que você ainda ama alguém: só que aquela pessoa ainda te marcou. De um jeito bom, como seu primeiro pé na bunda, como o primeiro namoro sério ou como a história mais enrolada de todas. Marcou.
Acho que a gente só não esquece quando alguma coisinha não ficou resolvida. Acho que só uma grande decepção ou aquele bom e velho acordo de "não tá mais dando certo"/"É, eu também acho"(sincero, minha gente) são capazes de dar àquele amor antigo a plaquinha de 'eliminado'.
E aí fica a enquete: Quem aqui tem um amor não resolvido/amor não esquecido?


"Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo".

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Box

Devia ser sócia da Eletropaulo e da Sabesp, não uma sócia não ativa do Greenpeace, que controla a água da pia da cozinha.
Durante o banho, lembrou naquela noite. Pensou, pensou e quis achar algum maneira pra descobrir o que fazer.
Pensou numa mandinga e não teve dúvidas: executou-a no próprio chuveiro.

Escreveu as inicias deles dois dentro de um coração, no box, e fechou a torneira.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Se cuida

Cenas como aquela, deprimentes, aconteciam todo dia, bem ao lado dela e ela só tentava imaginar o que havia acontecido na vida alheia.
Quando isso acontecia na sua vida, não imaginava nada: buscava na memória o que ou quem havia pintado aquele quadro melancólico. Só não era bucólico porque o alumínio e o tilintar de ferros do metrô eram metropolitanos demais.
Sentados ali, pareciam um casal de idosos que já não tinham nada a falar um ao outro. Não que naquela hora se entendessem com o olhar; o que faltava era uma palavra (ou um conjunto delas) que explicasse exatamente o silêncio causado por algo que desconheciam.
As mãos unidas displicentemente mostravam dedos entrelaçados que apontavam, quase sem querer, para seus respectivos donos. Ela reparou, trançando palavras e tecendo a cena, que se desenhava sozinha.
Sentiu-se estranhamente triste, com as mãos cruzadas no colo. Havia mais alguma coisa entre elas? Não dava pra saber, eram dois corpos imóveis ocupando lugares diferentes de seus pensamentos no espaço.
De um lado, alguém se maquiava. Ela fazia isso quase todo dia e sabia que chamava a atenção. Resolveu não pensar. Lembrou de algo que ouvira do dono das mãos na semana anterior: "Quando você quiser casar comigo, a resposta é sim". Ouviu as palavras e pensou que aquele era só um dia ruim - não causado pela TPM, no fim das contas (mentais).
A mulher desceu. A lágrima se jogou. E lá se foi sua parca maquiagem...

Solta mão, abre porta, junta mão, fecha porta.

Beijo, se cuida.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Frase da vida


"Se as coisas não andam, só existem duas explicações: ou sua perseverança está sendo testada, ou você precisa mudar de rumo".
Para refletir. O que eu faço há tempos, mas continuo parada na bifurcação.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vernissage

Pegou as malas e partiu. Assim, recolhendo quadro por quadro daquela parede enorme, adornada pelo tempo que quis.
Conheceu novas paisagens. Pintou novos quadros. Uns impressionistas, à la Monet. Outros modernistas, cubistas ao extremo, com um toque de Picasso. Selecionou vários pra sua parede interna - a parede do maior quarto da casa em que as paredes eram quase uma exposição.


Resolveu pintar um quadro como Magritte.

(...)


Destrancou a porta e voltou para fazer a vernissage.

domingo, 11 de abril de 2010

Souvenirs d'infance

J'ai beaucoup de petites souvenirs de m'infance. Je n'ai pas de grands souvenirs, comment voyages, 'le gateau de la grand-mère" ou les divertissement dans la rue, mais je peux me rappeler de beaus jours dans chez moi avec toute ma famillie.
Je me rappele Samedis, quand moi, ma soeur et ma mère lavions les tapis. C'etait très amusant, parce qu'il y avait une petite piscine plastique près de le cour (où nous lavions les tapis).
Ces jours-là, moi et ma soeur soulement jouions, parce qu'il y avait d'eau, du solleil, de la musique e beaucoup de sourrires.

J'amais dessiner, donc, je dessinais beaucoup.
Ma mére est très atentive, donc, nous faisions beacoup de chose dans chez nous. Je me rappele de le gateau de ma mère (le meilleur qui j'ai dejá mangé), de les conversations avec ma soeur, de mon chemin.. J'ai beacucoup de souvenirs d'infance.


(posto as correções no próximo post. =D )

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Rascunho



"Ela ficava ali, dedilhando o teclado como se fosse um violão. Gostava de sentir os dedos tocarem as teclas sem fazer muito barulho e sem parar entre as palavras. Odiava ter que apertar o Backspace - ele sempre ía além do que ela queria.
Apertava as teclas e lembrava de como tinha sido o seu dia. Tinha feito poucas coisas, mas ele havia sido recheado das pequenas delícias que tornavam a vida dela mais feliz. Não falava só do chocolate maciço que ela comera como almoço. Falava do sofá em que estava displicentemente sentada como se fosse o seu. Da casa desarrumada e dos minutos que passara sozinha, olhando pra televisão e vendo sua vida de outra maneira naquela tela."

Incompleto, de 21/04/08.